
Sabe quando você escreve um romance em primeira pessoa?
Tava pensando em uma coisa… Não existiria a possibilidade de você escrever a mesma história na visão de outro personagem, desde que ele não morra ou não cometa suicídio na história? Pode existir a possibilidade dele narrar a história no além-morte, apesar disso ser demasiado sem graça para muitos leitores. Considere, portanto, uma situação de uma narrativa em que se troca o personagem narrador por outro.
Norwegian Wood é um romance excepcional narrado em primeira pessoa pelo personagem Toru Watanabe. Essa obra, criada no final da década de 80, exatamente no ano de 1987, é considerada a obra máxima de Haruki Murakami, autor do livro. A história basicamente retrata a insegurança amorosa, e até mesmo existencial, de um jovem que acabara de entrar na sua vida adulta. Este personagem é o protagonista e com certeza foi o que eu mais admirei dentre todos que Haruki Murakami criou no romance. Diferente de várias pessoas, gostava muito da cultura ocidental, adorava ler livros. Na minha visão, Toru é um pouco introspectivo, tímido, completamente observador a ponto de descrever minuciosos detalhes de qualquer coisa que se passa no espaço em sua volta. Isso já soaria demasiado interessante para o leitor imaginar o contexto da narrativa. Além disso, Toru não observa somente este espaço físico. Ele repara minuciosamente as características psicológicas dos personagens. Evidentemente que Haruki Murakami fez essa proposta a este personagem com grande genialidade.
O romance se passou no final da década de 60 e isso de certa forma me impressionou demasiado, demasiado. Ou talvez seria a prova definitiva de que eu seria um completo ignorante no contexto social japonês nos anos 60. Trem bala, diálogos abertos sobre sexo e a liberal e excepcional personagem Midori. Com relação a personagem Midori, que interessante! Como ela era diferente! Nunca imaginaria em pleno Japão-60’s uma personagem desse tipo, se é que existia nessa época. Bem, não entrarei neste detalhe por causa da minha completa ignorância nesse contexto histórico, apesar de admitir que fiquei impressionado com o perfil psicológico da personagem numa época daquela.
Agora, fico imaginando a possibilidade de Haruki Murakami escrever novamente Norwegian Wood, somente que sob a tutela narrativa da Midori. Como seria a história? Seria Midori detalhista como Toru a ponto de descrever detalhadamente algumas situações físicas e psicológicas que o jovem rapaz propôs na sua retrospectiva pré-adulta? Será que ela seria capaz de fazer isso? Ou a ela isso não importava, pelo fato de ser uma breve bobagem? Afinal, a vida para ela não era igual “uma lata de biscoitos”?
De qualquer maneira gostaria que o caro Haruki fizesse isso, apesar de me conformar que seria impossível. Para tanto, fica somente na minha imaginação tal suposição, mesmo assumindo para mim mesmo que seria algo fantástico.
Gostaria de recomendar fortemente a obra (compre aqui) deste autor que nasceu no mesmo dia gregoriano que minha namorada, apesar de ser quase 38 (quem leu o livro sabe o que estou falando) anos mais velho que ela.
A propósito, estava dando uma breve olhada no Oráculo e percebi que o primeiro capítulo desta obra está disponível no sítio da Veja Online. Tem base?
Grande abraço a todos.





Meu livro predileto.
Eu queria ser Murakami!
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